ENTREVISTAS – PROFISSIONAIS DA ARTE

ENTREVISTAS – PROFISSIONAIS DA ARTE

O profissional do restauro e conservação dificilmente é reconhecido com frequência pelo público em geral. Só lembramos dele quando casos exdrúxulos ganham os jornais, como no caso do restauro de um afresco com a imagem de Jesus em uma igreja na Espanha. Porém colecionadores e […]

Editatona Artes+Feminismos I Arte Trans

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Ciclo de Conversas + Tutorial Wiki | 29 de agosto de 2020 | 14h às 19h – On-line na plataforma Zoom.us A coletiva de pesquisa NaPupila e Brume Dezembro, através da parceria com o Wiki Movimento Brasil (WMB) e a Secretaria de Estado de Cultura […]

ENTREVISTAS – PROFISSIONAIS DA ARTE

ENTREVISTAS – PROFISSIONAIS DA ARTE

No mês de julho damos prosseguimento ao projeto de entrevistas com mulheres profissionais da arte, um campo muito mais vasto do que nos é apresentado. Reforçamos nosso intuito de, a partir de entrevistas com diferentes profissionais atuantes do campo das artes, suas profissões e colaborações se tornem cada vez mais visíveis ao público em geral.

A NaPupila Julia Baker entrevistou a arquiteta de formação Bel Xavier. Bel atua pensando plasticamente o espaço, trazendo suas experiências com cinema, televisão e artes visuais para sua prática enquanto profissional. Criado uma “direção de arte” ao pensar suas expografias, Bel nos conta um pouco de sua trajetória enquanto mulher inserida no campo das artes.

NAPUPILA Minha primeira pergunta é saber como você começou a atuar na área das artes visuais. Sempre foi um interesse ou foi algo que surgiu quando você foi conhecendo este campo?

BEL XAVIER – Venho de família de classe média baixa e arte nunca fez parte do meu cotidiano familiar. Sempre foi um interesse pessoal e, desde adolescente, eu gostava de ir a exposições e ao cinema. Quando entrei para a Faculdade de Arquitetura na USP (FAU-USP), um novo mundo se abriu. Minha aula magna foi ministrada por Milton Santos. Apesar deste ter sido o primeiro e único contato com um professor negro durante toda a graduação, a FAU-USP tem um currículo com uma multiplicidade invejável de disciplinas: projeto arquitetônico, design gráfico, paisagismo, planejamento urbano, programação visual, história da arte, história da arquitetura, laboratório de fotografia, de marcenaria entre tantas outras coisas e, tudo isso lecionado por professores que eram referência em suas áreas. Fiz ainda parte do grêmio da faculdade – entidade representativa dos estudantes – , colaborando com as pautas da política estudantil. Ter vivenciado tudo isso expandiu minha cabeça e meu olhar de uma maneira que eu nem fazia ideia que poderia ser possível.

Meu primeiro estágio, durante a graduação, foi na Mostra do Redescobrimento: Brasil+500, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Ter feito parte desta exposição grandiosa foi um segundo marco. Depois de fazer curso de monitoria sobre toda a mostra, me concentrei no núcleo Olhar distante, que expunha arte produzida por artistas-viajantes estrangeiros. Tive contato com obras do Frans Post, Albert Eckhout, Anselm Kiefer, entre outros, cotidianamente. Fazíamos visitas de formação com os curadores e alguns especialistas. Foi uma experiência maravilhosa e, com certeza, formadora do meu olhar. Tenho lembranças de muitas das obras com as quais convivi naqueles quase 6 meses, com aquela expografia diversa e algumas vezes duvidosa, e multiplicidade de linguagens expográficas da Mostra, de obras de arte, de curadorias, tiveram um grande impacto em minha formação profissional e pessoal.

Ao mesmo tempo, na faculdade, frequentava a disciplina de história da arte com Luciano Migliaccio. Lembro de sair das aulas apaixonada pelo renascimento italiano, por Giotto e Bernini. A partir desta experiência, desse mergulho profundo nas artes, eu já sabia que não seria uma arquiteta “normal”, de projeto e construção civil, como se denominava antigamente. Depois disso, comecei a estagiar no núcleo de cenografia da TV Cultura de São Paulo e trabalhei com excelentes profissionais que faziam os programas infantis Cocoricó e Rá-Tim-bum. Como estagiária de cenografia participava das gravações do programa da Inezita Barroso, Viola minha Viola, enfim, mergulhei no mundo da cenografia para televisão, que foi a minha grande escola, onde fiz amigos para toda a vida. No entanto, apesar de todo esse contato riquíssimo com a cenografia de televisão, meu tema do trabalho final de graduação foi em torno de arquitetura de exposição.

Em 2003, fui para Londres estudar inglês e fiz cursos ligados a cinema, na Central Saint Martins College of Art and Design, de Storyboard e direção de arte para cinema. No fim do meu primeiro ano em Londres, comecei a trabalhar em um escritório de arquitetura, motivo pelo qual estendi minha estada, inicialmente programada para um ano, por quase três anos. Ter morado em Londres me permitiu viajar bastante, frequentar todos aqueles museus incríveis e gratuitos, questionar todos os dias porque toda aquela pilhagem era tão comemorada, me entender brasileira e latino-americana e, sobretudo, conviver com pessoas e culturas do mundo inteiro. Ao voltar para Brasil, em 2006, mergulhei no cinema e publicidade. Fiz cenografia e assistência de direção de arte para longa metragens como Cilada.com, Nosso Lar; Plastic City, Paredes Nuas, Aparecida: o Milagre, e a série Som e Fúria; dirigida por Fernando Meirelles, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Assinei a direção de arte do filme Meu amigo Hindu, de Hector Babenco; do curta O olho zarolho, dirigido pela Juliana Vicente e René Guerra e de videoclipes como Marighella, dos Racionais Mc’s (vencedor do prêmio de videoclipe do Ano pelo VMB 2012 da MTV). Desde 2013, trabalho intercalando exposições e projetos audiovisuais.

NP – Além de atuar em museus e exposições, você trabalha como production designer para audiovisual. Por que a atuação em mais de uma área e como tem sido o percurso nelas ? Quais as semelhanças e discrepâncias entre as áreas?

B.X. – São duas áreas de paixão e interesse e, no meu entender, juntas trazem mais camadas para ambos os trabalhos. Entendo que uma exposição é um dispositivo para instigar perguntas e criar narrativas. Quando penso em meu ofício, eu o definiria como storytelling design, que se adapta a diferentes mídias, ao cinema e a exposição, e que no passado recente se chamava direção de arte. 

Minha atuação, em ambas as áreas, como arquiteta de exposições e como production designer, inclui ter muitas pessoas qualificadas trabalhando juntas para implementar um conceito de design, no qual a colaboração é fundamental para sua concepção. Além da criação, os principais aspectos do meu trabalho são planejamento, gerenciamento de orçamentos, cronograma de implementação e supervisão de conjuntos de construção. O planejamento e a experiência organizacional são cruciais para gerenciar processos e garantir que os projetos sejam bem organizados e entregues.

Uma característica de trabalhar como profissional independente, ou freelancer por vários anos é que, para cada novo empreendimento, é necessário começar do zero, reunindo equipe e recursos relevantes para o projeto. E a partilha de conhecimento e experiência são fundamentais para ambas atuações.

Ambos os meios, cinema e artes visuais, são restritos e fechados. Trabalhar nestas áreas é um ato de resistência, já que temos poucas mulheres negras em posição de criação nestas áreas. Tenho a impressão que neste quesito as artes visuais são menos inclusivas do que o cinema, que já apresenta um estado grave.

Tenho uma formação e atuação múltipla, no entanto é difícil não se condicionar a rótulos. A pesquisa em artes visuais é outro campo que também me agrada muito. Estou, por exemplo, finalizando um mestrado em Artes Visuais onde pesquiso imagens de levantes e resistência de uma exposição itinerante internacional. Meu percurso profissional é mesmo sinuoso, e penso que o entrecruzamento destas áreas o faz mais rico.

NP – Você já atuou, enquanto profissional, tanto na esfera institucional quanto na esfera independente. Sente muita diferença em relação a forma trabalha? Acha que, enquanto mulher, as diferenças se acentuam mais em algum desses cenários?

B.X. – Sim, existe uma grande diferença. Posso falar sobre minha experiência na esfera institucional em museus públicos, que são sempre mais engessados em todos os sentidos e as remunerações estão muito aquém do que os profissionais deveriam receber, no entanto, quando se trabalha em uma instituição, você fica íntima do acervo. Acervo e pesquisa estão intimamente ligados e, trabalhar em uma instituição te permite um olhar mais acurado e profundo sobre esses acervos, pois o tempo debruçado sobre a pesquisa é maior, e sua contribuição muito mais rica.

Montagem Ao Amor do público (MAR)

Tive muita sorte em trabalhar em duas instituições maravilhosas, o MAR, no Rio de Janeiro, e ver o seu acervo em formação e o nascimento de um grande museu público; e em São Paulo, no CCSP, que tem um acervo mantido e ventilado através do esforço pessoal de profissionais que amam o que fazem, pois mantêm um enorme e fundamental patrimônio brasileiro com recursos mínimos. Vejo esse achatamento, a falta de recursos como um todo, o número reduzido de profissionais, a defasagem salarial, como parte de um grande programa de desmonte da cultura e patrimônio brasileiro, que leva, por exemplo, à falta de manutenção e política de prevenção adequadas, e que se traduz em tragédias como o incêndio do Museu Nacional e, mais recentemente, do Museu de História Natural da UFMG. Tal condição justifica ainda a gestão das Organizações Sociais como maneira de otimizar e agilizar processos institucionais, mas que no fundo é feita como um programa de negócios e não uma gestão de patrimônio. Esse é um problema profundo e pouco debatido na esfera da cultura brasileira, que tem tantas urgências. 

Gosto de trabalhar e circular nos dois ambientes, no institucional e independente. Porém, ter acesso à recursos maiores, quando atuo como arquiteta independente, é uma situação mais sedutora para quem cria e constrói espaços de exposições, pois me permite experimentações.

Não vejo diferença, como mulher negra, do machismo e misoginia na esfera institucional e independente. Estes se apresentam de maneira estrutural em todas as camadas.

NP – Vários casos de misoginia e machismo apareceram nos últimos anos nos espaços da arte, lembro do caso de uma funcionária do Moma PS1 que foi convidada a ocupar um cargo de curadoria mas, ao anunciar sua gravidez, foi dispensada. Você já presenciou ou vivenciou alguma situação no campo das artes em que sentiu tratamento diferente por ser mulher? Percebe algum caminho possível para amenizarmos tais problemas?

B.X. – Sim, já presenciei e vivenciei. No Brasil, quem disser o contrário, ou está mentindo ou não quer identificar o problema. No meu caso, por ser negra, é ainda mais grave. Dentro das instituições ou como colaboradores, vemos pouquíssimos profissionais pretos que tenham visibilidade, porque profissionais negres bons e capacitados temos aos montes. É bastante incômodo não ter pares, ser a única negra quando se trata da equipe criação de projetos, seja na esfera institucional ou como profissional independente, o que já ocorreu algumas vezes. Grande parte das atividades relacionadas à concepção e execução, desde a gerência institucional, a produção, a arquitetura, a pesquisa, são compostas por pessoas brancas. A grande maioria das exposições que fiz foi com homens brancos na curadoria.

A normalidade desta situação, a ausência de negros nos espaços de decisão e poder, além de ser um dado racismo estrutural brasileiro, espelha o contexto social contemporâneo, refletindo a sociedade brasileira como um todo, onde urge um desejo de mudança. Não acredito que haverá melhora significativa nesta questão se não for através de legislação, através de cotas em todas as esferas, desde conselhos de museus, cargos de liderança, etc. Temos que pressionar as instituições para posicionamento e mudança efetiva.

Creio que estamos vivenciando um momento importante de mudança, e pela primeira vez estou trabalhando em um projeto de exposição onde a equipe curatorial e de pesquisa, além da equipe de design e parte da produção é toda negra. Vejo esse momento como um divisor de águas, onde as estruturas estão sendo abaladas.

NP – Você é mãe e, assim como muitas mulheres possui uma jornada dupla e, por vezes até tripla. Encontrou ou encontra muitas dificuldades ou falta de compreensão por possuir esses múltiplos papéis? É possível formar redes de apoio para mulheres em situações semelhantes dentro das próprias instituições.

B.X. – Sim, a jornada é mesmo dupla, tripla. Encontrei sim algumas dificuldades e falta de compreensão e, por incrível que pareça, vindo de mulheres, o que me entristeceu ainda mais. A misoginia está impregnada estruturalmente na cultura brasileira. As redes de apoio femininas têm sido bastante inspiradoras e cada vez mais vejo mulheres se posicionando como mães e profissionais. Creio que temos que discutir estas questões na esfera pública como de âmbito social e não feminino. O acesso a rede de educação, o papel do estado na primeira infância, a desigual divisão do trabalho doméstico, da carga mental, as situações que colaboram com a dificuldade da mulher se manter competitiva na esfera profissional são questões que precisam ser refletidas por toda a sociedade e não deveriam ser vistas como de pautas femininas.

NP – Dos seus trabalhos de expografia, tem algum que foi mais marcante? Pode contar um pouco de como foi é o seu processo de trabalho.

B.X. – Eu gosto muito do meu ofício, sobretudo porque sempre aprendo muito sobre o tema com o qual estou em contato. No caso da exposição, cada projeto é único, com sua característica institucional e temática.

Colaborei, por exemplo, com a exposição itinerante, Revelações Olímpicas, em 2016, com uma expografia pensada para ficar no tempo, ao ar livre. A exposição mostrava imagens selecionadas do concurso de fotografia com o mesmo nome, cujo tema tratava dos impactos dos megaeventos esportivos nas comunidades do Rio de Janeiro: remoções forçadas, militarização das favelas, mobilidade limitada na cidade, elitização dos espaços públicos, além de outras violências e violações dos direitos. Foi montada primeiramente na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro e depois circulou por diversos lugares, como Museu da Maré, Vila Autódromo, e UFRJ. As discussões que aquela exposição gerou e o acesso proporcionado pelo sua circulação à pessoas que normalmente não frequentam galerias ou museus para ver uma exposição de fotografia, foi o que mais me atraiu neste projeto.

Tenho especial afeto pelas exposições nas quais colaborei com Paulo Herkenhoff, com quem sempre aprendo muito. Trabalhar junto ao Herkenhoff, além de me fazer adquirir um repertório vastíssimo sobre arte brasileira, me fez desenvolver habilidade especial para pensar criticamente exposições com um número grande de obras de diferentes artistas, grande circulação de pessoas, e com muita ênfase ao projeto educativo, às visitas escolares. Fizemos, juntos no MAR, duas exposições deste tipo com cerca de 300 obras e, com as mesmas características, a exposição de inauguração do SESC 24 de Maio, São Paulo não é uma cidade – com co-curadoria de Leno Veras – cujo resultado estético me agradou muito. Também gosto bastante da proposta estética e curatorial da exposição Lívio Abramo: Vigor e Lirismo, que montamos na Biblioteca Mário de Andrade (SP) e fez um panorama das obras do artista em diferentes fases.

Montagem São Paulo não é uma cidade (SESC 24 de Maio)

Outro projeto que considero bastante especial, por sua temática de resistência museal, foi a expografia para Arte Naif, nenhum museu a menos, de 2019, montada nas cavalarias da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Nesta exposição, o desafio foi lidar com cerca de 300 obras do acervo do Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil, combinados às obras de arte contemporâneas, com materialidades bastante distintas, pensadas na curadoria política de Ulisses Carrilho e equipe. Esta montagem foi uma importante exposição-manifesto, por seu caráter de denúncia em favor da manutenção das instituições culturais brasileiras e sua liberdade de expressão.

Normalmente os projetos têm duração de cerca de quatro a seis meses, entre elaboração e acompanhamento de execução. Tempo este que é curto para projetos de médio e grande porte, como os que normalmente faço. O ofício de arquitetura de exposições demanda trocas com múltiplas equipes, como de curadoria, produção, museologia, iluminação, tecnologia e equipamentos, cenotecnia e montagem, durante o processo. E inclui, além da pesquisa, algumas etapas de entrega de projeto, como estudo preliminar, anteprojeto, projeto e projeto executivo.

O momento da montagem da exposição é, para mim, muito especial, e comparável à um set de filmagem, onde apesar do planejamento minucioso de cenas e seus efeitos, muitas vezes o que vemos é mudado ou rearranjado no calor da cena, determinado por uma série de fatores como resposta à atuação dos atores ao roteiro, ângulo e movimento de câmera, iluminação, som, entre outros, onde os envolvidos no processo percebem, no momento da captação, qual seria o melhor encaminhamento para a narrativa daquela cena específica. Podemos dizer que a exposição também sofre rearranjos devido ao pensamento influenciado pelo choque, pensado à maneira de Eisenstein, obtido pela justaposição, a fricção de obras.

Ao pensar como se executa a montagem, podemos afirmar que a própria se performa como um gesto. O gesto de montagem é similar ao gesto de uma dança, assim como o pensamento, se movimenta em ziguezague, em busca de respostas inexistentes para questões inquietantes.

Bel Xavier Arquiteta, diretora de arte e mestranda em Artes Visuais, mescla a prática da direção de arte de projetos culturais, nas áreas de cinema, exposições, à pesquisa e ensino atuando nas esferas públicas e privadas.
http://www.belxavier.com/

Artes + Feminismos I Arte e Arquivo – julho de 2020

Artes + Feminismos I Arte e Arquivo – julho de 2020

Com eventos bimestrais, a maratona Edit-a-thon Artes + Feminismos tem o objetivo de aumentar a presença feminina na Wikipédia, seja nos verbetes ou na edição da ferramenta. O próximo encontro acontece nos dias 18 e 19 de julho, sábado e domingo, a partir das 14h, […]

Chamada aberta PAMA | Revista Desvio

Chamada aberta PAMA | Revista Desvio

Em acordo com as propostas da coletiva curatorial NaPupila, divulgamos a chamada aberta do grupo de Pesquisadoras sobre Arte e Artistas Mulheres na Academia (PAMA) da Revista Desvio.   O grupo PAMA contará com 10 encontros semanais e ocorrerá de modo virtual, entre os meses de agosto e outubro de 2020, através de videoconferência. […]

ENTREVISTAS

ENTREVISTAS

Conversar, trocar, compartilhar, todos são verbos de ação que incluem dois ou mais indivíduos no ato. Precisamos dividir, escutar e, assim, conseguimos aprender e compartilhar ensinamentos. Criamos uma seção no site do NaPupila de entrevistas para ser um espaço de troca. Troca entre nós, entrevistadores e entrevistados, trocas entre vocês, que nos leem, e possibilidades de gerar novas formas de interação, para além de apenas curtidas e likes.

As entrevistas se dividem em dois ramos: os das artistas e o das profissionais das artes. As entrevistas com as artistas serão conduzidas em conjunto com o grupo de pesquisa coordenado pela coletiva NaPupila. As pesquisadoras participantes, partindo de seus interesses e desejos, realizaram conversas com artistas contemporâneas que serão postadas no site com regularidade. O segundo ramo é ligado as profissionais da arte que nem sempre são visíveis pelo grande público mas são fundamentais para que a obra seja realizada, as instituições funcionem e que a arte esteja disponibilizada para todes.

Howard S. Becker, em seu livro Mundos da Arte, evidencia que, para a realização de qualquer tipo de arte é necessário um mundo de profissionais por trás de um artista, de uma instituição, de um performer. Evidenciar tais profissionais auxilia a quebrar com o dogma que o artista é solo e que não é necessária a manutenção de diferentes redes para a produção e circulação do trabalho artístico. Inauguramos a seção com a entrevista de uma profissional das artes.

A entrevista, conduzida por Julia Baker, integrante da
NaPupila, foi com Mayra Brauer. Formada em museologia, atua na área há mais de dez anos com experiências em museus e instituições culturais. Seja na Reserva Técnica, montagem de exposições ou catalogando obras de arte, Mayra está sempre com um sorriso, pronta para auxiliar seus colegas e o público.

Tive o prazer de trabalhar com ela por alguns anos e presenciava diariamente sua dedicação e amor pelo seu trabalho. Na entrevista, podemos não apenas conhecer sua trajetória profissional mas, também, percebemos como o papel da mulher deve ser problematizado nas instituições e em profissões que, não por acaso, lhes é dado o protagonismo.

NAPUPILA Nosso primeiro passo é pedir que nos conte um pouco de você. Como se deu seu início no mundo das artes. Por que a escolha de sua profissão – a museologia? O que é a museologia, como você atua nesse campo e quais possibilidades existem na profissão.

MAYRA BRAUER  – Minha relação com a arte vem desde criança. Estudei em escolas abertas e participativas, onde os alunos e famílias, professores e funcionários estavam envolvidos nos processos de ensino/aprendizagem, utilizando as mais variadas metodologias. Além desse processo de formação educacional, cresci no meio das artes. Por ser filha de museólogo, museus, exposições e obras de artes, já faziam parte da minha rotina. Não fui influenciada diretamente pelo meu pai, mas naturalmente o universo já me encantava e, neste sentido, acredito que sim, que ele tenha me ajudado na escolha profissional, mesmo que involuntariamente.

Em 2002, entrei para a Escola da Museologia, pela UNIRIO, e pelo menos meu pai conseguiu me ver entrar em uma faculdade pública, pois faleceu no ano seguinte. Foram quatro anos de curso, muita dedicação, estudo, militância, estágios e consegui me formar no fim de 2006, com a colação de grau no início do ano de 2007.

A Museologia, em seu sentido mais amplo, é a relação específica entre o humano e a realidade. É uma ciência que pensa o museu envolvendo o objeto, a coleção e a exposição em um contexto social, trabalhando no campo das experiências práticas e reflexões teóricas ligadas a todos os processos sociais. O museólogo é o profissional que se dedica à classificação, à conservação e à exposição de peças de valor histórico, artístico, cultural e científico. Temos como missão transmitir e divulgar conhecimento, desenvolvendo ações culturais sobre os acervos, planejar e executar documentações, administrar as coleções, promover o intercâmbio de peças com outros museus (empréstimos), gestão (planejando na execução e acompanhamento de projetos e políticas públicas relativas ao patrimônio histórico e cultural), organização de exposições (analisando a melhor forma de dispor e apresentar as peças). Podemos atuar em: Museus, Galerias de Arte, Institutos de Pesquisa, Centros de Documentação e Informação, Escolas, Universidades, Centro de Ciências e Tecnologia, Jardins Botânico, Zoológicos, Aquários e Planetários, Parques e Reservas Naturais, Sítios Históricos e Arqueológicos, Pequenas, médias e grandes empresas, Coleções Públicas e Particulares, Produtoras de vídeo e TV, Arquivos, Bibliotecas, Teatros, etc.

Desde 2013, estou na equipe de Museologia do Museu de Arte do Rio (MAR) no cargo de museóloga responsável pelo inventário da coleção museológica, os procedimentos internos da Reserva Técnica, recebimento de entrada de obras (doações) e também pelos processos que envolvem as exposições.

NP- Na sua trajetória profissional, você percorreu diferentes instituições. Pode contar um pouco das diferenças e semelhanças de cada uma delas, em relação a sua atuação profissional.

M.B. – Atuo no campo da museologia desde o primeiro estágio, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC/Niterói), e logo que me formei fui convidada a assumir o cargo de Coordenadora de Exposições. Tive a oportunidade de trabalhar também em projetos nas seguintes Instituições: Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e Museu da Imagem e do Som (MIS). Como Coordenadora de Exposições no MAC/Niterói, além de todo o processo básico do profissional de museologia, como: acompanhar a curadoria na pesquisa à coleção, verificação do estado de conservação das obras, higienização, confecção e elaboração dos laudos técnicos e acompanhamento das obras com a equipe de montagem até o espaço expositivo/local definido na exposição; era necessário fazer também todos os processos burocráticos da Instituição (contratação de montadores, aprovação e definição de layout dos materiais gráficos e recebimento das equipes de plotagem). Isso porque, na época, éramos pouquíssimos profissionais na equipe, apenas três museólogas (grandes profissionais que me ensinaram muito do que sou hoje, Angélica Pimenta e Márcia Muller) para cuidar de uma coleção grande e de todos os processos museológicos. Portanto, ao finalizar uma montagem de exposição, as novas etapas de um novo Projeto já se iniciavam imediatamente.

No MNBA, o acervo é dividido por coleções (pintura, desenho, escultura, gravura, mobiliário, etc) e um museólogo chefe atua como curador desta coleção. Eu tive a oportunidade de trabalhar no Setor de Pintura e Desenho Brasileiro (com um grande mestre, Pedro Xexéo, que sempre tinha uma história para contar de cada item da coleção e eu, óbvio, ouvia atentamente cada palavra), onde atuava com a pesquisa da coleção, realizando a catalogação e também o recebimento de pesquisadores ao acervo. No MIS, eu participei de um projeto, também de catalogação, do acervo audiovisual. Éramos muitos profissionais, áreas interdisciplinares, atuando juntos. Foram meses de dedicação de pesquisa e muitas parcerias. Em ambos os projetos atuei como museóloga, mas de uma maneira diferente, e é essa diversidade que mais me encanta na minha profissão, além de me proporcionar muitos contatos e conhecimentos por onde passo.

NP- Como você vê a inserção das mulheres no campo das artes. A sua profissão já tende a ser majoritariamente feminina, por que acha que isso ocorre?

M.B. – No campo das artes vejo muitas mulheres atuando e acho importantíssimo o nosso papel. Nós, mulheres, além de lutar diariamente por direitos iguais, conseguimos trabalhar em vários projetos ao mesmo tempo, seja ele profissional ou pessoal. E melhor, ainda sorrimos. Sei lá, já nascemos com isso, uma espécie de aptidão mesmo (rs).

Quanto à museologia ser majoritariamente feminina, me recordo de um artigo que li do Professor Bruno Brulon, do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), que nos anos de 1940, numericamente, era maior a presença de mulheres nos cursos de museologia, pois os primeiros programas para a formação de profissionais a serem criados no mundo não se propunham a formar diretores de museus/museólogos/administradores, mas sim “assistentes” para atuar nos museus. Por essa razão, as primeiras escolas eram destinadas a “jovens mulheres” que seriam treinadas para realizar as funções básicas de organização, manuseio, classificação e catalogação de objetos de museus. Olha o machismo aí! (que raiva). Não sei, mas acredito que por serem tantas mulheres atuando juntas, com a mesma formação e pensando o museu, elas conseguiram chegar aos cargos técnicos e mais altos das instituições e continuarem atuando atuando desde seus primeiros anos até os dias atuais, e sendo respeitadas.

NP – Você acha que “trabalhadores invisíveis” que fazem os museus (museólogas, educadores, montadores, seguranças, produção, limpeza, etc) são reconhecidos? Como poderiam ser mais reconhecidos e ter sua participação mais visível?

M.B. – Eu sempre digo que o trabalho do museólogo é invisível, os processos sãos gigantes, muitas atividades, mas que ainda falta muito reconhecimento. Trabalhar no museu é ter todo dia um aprendizado, é árduo, mas também é tentador. Museus são muito mais do que espaços de preservação do passado, é presente e é futuro. Nós, museólogos, possuímos uma característica única: “somos heróis”, exercemos com muita determinação e não desistimos. Nesses 13 anos de profissão vi de perto as dificuldades de manter um museu aberto, em movimento, vivo.

Gostaria muito de ver a profissão do museólogo mais respeitada, o que não é fácil em um país que não valoriza sua própria cultura, e no momento atual que estamos vivendo (crises, intolerância religiosa, censuras, pandemia, etc.) precisamos continuar acreditando nos museus, que são lugares que tem compromisso social e desenvolvem uma ação ativa na sociedade. Muitos museus no exterior já estão decidindo como a pandemia será lembrada, fotografias, objetos e obras de arte já vem sendo reunidas para formar as memórias desta época. Penso que todo corpo técnico de um museu merece ser ouvido, assim como seus visitantes. Essa troca que faz do museu um lugar de escuta e fala.

NP Dados mostram que a maneira como as mulheres ocupam os museus e demais espaços das artes nunca se dá em cargos altos. Também, se formos ver as coleções dos grandes museus, a quantidade proporcional de mulheres artistas nas coleções sempre parece bem reduzida em relação à presença de artistas masculinos. Queria saber o que você pensa disso. Acha que existe algum mecanismo para mudarmos tal cenário? Sente que as mulheres percebem essas discriminações?

M.B. – Sim, com toda certeza as mulheres percebem essas diferenças. Elas estão ali na nossa frente, não tem um único dia que não convivemos com isso.

Por trabalhar diretamente com as coleções, alimentando informações nos banco de dados e recebendo as doações, é impossível não ver que as mulheres/artistas são minorias e, mesmo fazendo campanhas ou projetos de exposições e doações de obras de arte feitas por mulheres, a quantidade de obras numa coleção em constante crescimento é normalmente de autoria masculina, o que faz com que numericamente a porcentagem não mude, infelizmente.

Além disso, penso, do que adianta essa representatividade nas coleções numericamente se não há visibilidade? Muitas obras das artistas mulheres nunca foram expostas. Precisam ser vistas, estudadas, sentidas por todos. Acredito que, para o momento político social que a gente vive, é muito importante que estejamos unidas. Temos que deixar de ser “números”, precisamos ser vistas, mas não em apenas um movimento e sim por toda vida.

Mayra Brauer – Museóloga, formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/UNIRIO (2007). Tem um papel de relevância em Museus de Arte. Foi integrante de grandes Instituições Museológicas do Rio de Janeiro, como Museu de Arte Contemporânea de Niterói/MAC, Museu Nacional de Belas Artes/MNBA e Museu da Imagem e do Som/MIS. Desde de 2013 é museóloga do Museu de Arte do Rio/MAR, onde desenvolve as atividades de metodologias dos processos do inventário, documentação museológica e responsável pelos processos interno da Reserva Técnica. 

Colírio |Pequenas críticas

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Colírio é um remédio cujo propósito é lubrificar, dilatar e inibir a pupila. Não é próprio do olho mas é majoritariamente utilizado neste órgão. Usamos o colírio para curar, ver através de novas lentes, permitir um novo olhar e sanar questões médicas. Pingamos, com cuidado […]

Artes + Feminismos I Arte e Trabalho – maio de 2020

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A coletiva de pesquisa NaPupila, o Wiki Movimento Brasil (WMB) e o Instituto Moreira Salles em continuidade ao trabalho do Arte+Feminismo no Brasil realizando a maratona online de edição “Edit – a – thon Artes + Feminismos / Arte e Trabalho”, nos dias 23 e […]

Arte + Feminismo | Wikipédia Edit-a-thon – março de 2020

Arte + Feminismo | Wikipédia Edit-a-thon – março de 2020

Ação coletiva/maratona de edição de conteúdo feminista para a Wikipédia

Edição 2020

Realização: NaPupila e Biblioteca EAV Parque Lage
Apoio: artandfeminism.org
Parceria: Instituto Moreira Salles (IMS) e Wiki Movimento Brasil (WMB)
Parceria: artandfeminism.org


A Wikipédia é o maior e mais popular site de referência geral na internet, com mais de 40 milhões de artigos em mais de 250 línguas diferentes. Devido ao seu licenciamento em Creative Commons, seu conteúdo se difunde para além das páginas da própria Wikipédia. Nesse cenário:

Apenas 10% de seus colabores se identificam como mulheres; uma pesquisa mais recente aponta para um percentual global de 16% e de 22% nos Estados Unidos.

Os editores trans e de gênero não-binário são basicamente inexistentes.

O NaPupila foi cofundado por três mulheres curadoras emergentes , como um grupo sempre experimentamos e discutimos questões de gênero. Embora tivéssemos considerações sobre como e por que as mulheres ainda são minoria como curadoras-chefe, diretoras de museus e pouco mencionadas em livros de arte, etc. Sentimos a necessidade de tornar isso mais visível para nossos colegas, destacando os tópicos femininos e de gênero em nosso trabalho.

Arte+Feminismo é uma iniciativa global que pretende suprir a lacuna de temas ligados a gênero na Wikipédia. Os eventos (conhecidos como edit-a-thons)  ensinam à pessoas de todas as identidades como editar a Wikipédia e diminuir a lacuna de gênero.

Todo ano durante o mês de março, ajudam a organizar eventos comunitários  da campanha Arte+Feminismo, onde pessoas de todas as identidades e expressões de gênero se reúnem para aprender a editar Wikipédia.

Nesses  eventos, as pessoas criam novos artigos e melhoram o conteúdo existente sobre  artistas de diferentes etnias, feministas, ativistas e criadores do vasto espectro de  gênero e identidade.


Entendemos que essas ações estavam em sinergia com muitas coisas as quais acreditávamos. Por isso, desde de 2019 realizamos edições do Edith-a-Thon. Em 2019 o evento aconteceu no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica no Rio de Janeiro e em 2020, na Biblioteca do Parque Lage.

Antes da quarentena, recomendada para conter a proliferação acelerada do CoVID 19 prevíamos dois encontros na Biblioteca da Escola de Artes Visuais do Parque Lage . A primeira reunião foi realizada no local em 10 de março de 2020 e a segunda (31/03/20) também seria na Biblioteca. Durante essa primeira reunião, NaPupila explicou como era fácil navegar e editar artigos na Wikipedia e discutimos sobre a falta de representação feminina em livros, Wikipedia e outras fontes de pesquisa.

Após a primeira reunião, fomos capazes de unir forças com outras instituições para termos mais participantes e fontes para o dia da maratona. O Instituto Moreira Salles – através da figura de Bruno Buccalon – forneceu material de pesquisa impressionante sobre as figuras femininas em sua coleção de arquivos. Érica Azzellini e Giovanna Fontenelle, do Wiki Brasil Movement – também foram parceiros incríveis antes e durante o evento. Eles têm um ótimo conhecimento sobre a plataforma Wiki e se ofereceram para ajudar os participantes durante o dia da maratona e depois. Como dissemos, planejamos realizar o evento no espaço da Biblioteca com todos os participantes reunidos, no entanto, devido às mudanças no mundo e à necessidade de aplicar distância social para evitarmos problemas de saúde e sociais no Brasil, fomos forçados a mudar o formato do evento e, devemos dizer, funcionou perfeitamente.

Pensando em maneiras de realizar o evento na situação atual, decidimos fazê-lo completamente online. Em 31 de março, a maratona foi realizada pelo aplicativo Zoom. Das 14:00 às 22:00, estávamos online realizando workshops explicando a importância dessa ação e como editar na Wikipedia. Nós e todos os nossos parceiros estivemos on-line o tempo todo, para podermos ajudar os novos editores e orientá-los.

Em apenas um dia, nossos colaboradores fizeram mais de 100 edições, foram criados 05 novos artigos, 21 foram adicionadas novas informações e 373 foram visualizados. Feminismo, gênero, arte brasileira, ativismo e feminismo foram os principais assuntos dos artigos em que trabalhamos.

Dados computados diretamente na plataforma


Mais de 30 pesquisadores, curadores e críticos de arte participaram de nossa maratona, acessando o aplicativo Zoom e trabalhando muito duro nos artigos e no entendimento das ferramentas WIki. Elas eram mulheres brasileiras, vivendo em diferentes estados e até países, que entendiam a importância da ação e como isso poderia reverberar em outras ações no mundo da arte que poderiam ajudar as mulheres a ter um papel mais protagonista em livros, pesquisas e historiografia das artes.

Outro resultado do edi-a-thon foi um grupo criado com algumas das participantes que decidiram fazer entrevistas com algumas das artistas femininas que incluímos e alteramos na Wikipedia. Enfrentamos novos tempos e novas maneiras de criar conexões e nos relacionar com as pessoas e, felizmente, nosso evento foi capaz de criar um grupo on-line caloroso, comprometido em desafiar a sub-representação de agentes femininas no mundo da arte. Mantemos nossos esforços em representar as mulheres e esperamos aumentar o número de participantes no próximo ano!


Um agradecimento especial a nossxs colaboradorxs diretxs:


Lua Barbosa – Yarinés Suárez – Tanja Baudoin – Juliana Machado – Rubia Luiza da Silva – Gabi Carrera – Bruno Buccalon – Amanda Tavares – Ana Vigorito – Bia Morgado – Bianca Bernardo – Bruna Araújo – Bruna Costa – Caroline Fucci – Cristina Barros – Daniela Kern – Érica Azzelini – Giovanna Fontenelle – Gabriela Noujaim – Ingrid Bittar – Juliana Proenço – Laís Ribeiro – Mariane Vieira – Priscila Medeiros – Tatiana Silva – Vanessa Tangerini – Luciana Grizotti – Silvia Schiavone – Rachel Souza – Thaís Azize – Lili Noujaim – Mariana Benatti – Rosangela Meger – Ingryd Lamas – Mariana Medeiros – Rachel Rezende – Celio Costa Filho – Letícia Larín – Laura Cattani – Carol Pezzin – Marília Alves – Gabriella de Castro – Eliz Almeida – Tais Barcia – João – Renan Lima – Inaê Coutinho – Ana Luiza de Abreu – Aline Besouro – Luana Fonseca


** A cada ano convidamos uma artista para ilustrar nossas peças de divulgação. Em 2020 a artista parceira foi Aline Besouro. Segue a baixo o trabalho original.


 

 

Aline Besouro
Pintura em nanquim
30x40cm
2020

 


 

 

 

 

 

 

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REPERCUSSÃO NA MÍDIA


 

 

 

 

 

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Fotos de Gabriela Carrera


 

 

 

 

 

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